ÁGUAS DE CAMBRES
"Indicações
Aparelho digestivo / usada como água de mesa.
Tratamentos/ caracterização de utentes
Ingestão. Esta água foi comercializada até ao início da
década de 1980.
Instalações/ património construído e ambiental
Existem quatro nascentes: Caldeirão 1 e 2, a Fonte e as
Fontainhas. Na última fase de laboração só se trabalhava com uma nascente e com
um furo artesiano, que era o principal fornecedor de água para a fábrica de
engarrafamento. Este furo localiza-se por de trás da oficina e é protegido por
uma construção sólida em cimento com 1,5x1,5 m.
A fábrica de engarrafamento é uma construção dos anos 1960,
com uma área de cerca de 200 m2. A entrada dá directamente para o armazém, com
um pequeno escritório de administração do lado esquerdo. Ao fundo deste armazém
ficava o local de engarrafamento com três tanques e dois sistemas de
canalizações (vermelha e branca) que se juntam na torneira comum de engarrafar,
correspondendo a águas das duas nascentes diferentes.
Numa terceira sala ao lado direito encontra-se uma máquina
mais recente para encher garrafões, uma outra para enrolhar e uma terceira para
lavagem do vasilhame.
Todo o material está obsoleto e demonstra um processo de
engarrafamento bastante artesanal e pouco higiénico para os padrões actuais,
possível razão porque se encontra inactivo. Curiosamente toda a oficina ainda
tem energia eléctrica, apesar de não funcionar há cerca de 20 anos.
A área de protecção abrange toda a colina por de trás da
oficina, que formava um parque de lazer onde predominam os cedros e pinheiros,
mas onde as acácias vão ocupando toda a superfície livre.
Natureza
Hipossalina cloretada sódica (Acciaiuoli)
Bicarbonatada e cloretada sódica (Calado 1995)
Alvará de concessão
1926 - 5 de Novembro, alvará de concessão
1935 - 22 de Agosto, alvará de transmissão a favor da
Sociedade das Águas de Cambres, Lda., com área reservada de 117 hectares.
1941 – 19 de Agosto, alvará de transmissão a favor de
Francisco Perfeito de Magalhães Menezes (a folha do IGM diz ser o primeiro
alvará). Alvará de 1968, passado a D.
Maria Helena Brazão Vilas Boas. Com actividade suspensa.
Historial
Há relatos da existência de uma albergaria medieval,
construída junto da nascente. Aqui passava uma das vias utilizadas para romagem
a Santiago de Compostela.
Andrade (1925) descreve a geologia do terreno: “A mancha
cambriana que segue de Espanha por Balça d’Alva até um pouco a Oeste de Mesão
Frio, cobre toda a região da Régua e também o local onde existem as nascentes”,
e refere uma quinta nascente, “do Cedro Grande, mais perto da Casa da
Corredoura e junto a um cedro grande, donde lhe provem o nome, aparece no
contacto dos xistos cambrianos com as aplites”.
Acciaiuoli noticia no seu relatório anual de 1942 que “está
nos tribunais pendente uma acção judicial”, e assinala em 1944 que “não se
chegaram a executar as obras de captagem, tais como Freire de Andrade
projectou, por várias vicissitudes passou esta concessão e, devido a elas, a
sua exploração tem sido deficiente”.
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